29 de junho de 2009

Se o Papa é Pop, Os Padres Também são

Na sociedade contemporânea a igreja católica, antes vista de forma mais convencional, procura atingir seus fiéis de forma a mantê-los à base da igreja ou mesmo para resgatar aqueles que por um motivo ou outro, desvincularam-se da mesma. Para isso, conta com a ajuda da RCC (Renovação Carismática Católica), movimento iniciado na década de 1960 nos Estados Unidos. Esse movimento se assemelha em vários aspectos aos movimentos de igrejas pentecostais de origem protestante, de onde recebeu influencia. Era conhecida inicialmente como movimento dos católicos pentecostais. Tem como meta buscar a renovação de práticas tradicionais e ritos católicos, dando uma nova abordagem a forma de evangelizar da igreja. Quanto à doutrina da Igreja, a RCC observa as Sagradas Escrituras; o Catecismo e as demais diretrizes da Igreja. A RCC de certo ponto de vista é mal recebida pelos grupos tradicionalistas dentro do catolicismo, que a acusam de sentimentalista e irracional, além de ser acusada de muitos abusos cometidos durante a celebração da missa. Outro fato que desagrada aos mais tradicionais é o fato de centrar os esforços também em favor da unidade entre igrejas cristãs (ecumenismo), principalmente quando introduzem músicas pentecostais nas cerimônias católicas (a partir da década de 90 houve uma contextualização da música gospel, estas são as que possuem mais destaque, com letras mais emotivas, próprias das igrejas evangélicas). Além disto, os “membros” da RCC também acreditam que o “mal” está estritamente ligado a algum problema relacionado à própria pessoa. Católicos carismáticos tendem a ter uma forte crença na ação do demônio sobre a terra e que por meio de fervorosas orações, estes podem ser combatidos. Estaria aí, nesses pontos principalmente, a crise de sentido dentro da igreja.
Este movimento vem ganhando força no Brasil, e um dos seus maiores expoentes é o Pe. Marcelo Rossi, que com sua forma performance de show man reza a tradicional missa com muita música, atrai multidões por onde passa e populariza o catolicismo. Normalmente estas pessoas são atraídas pelas mídias eletrônicas que propagam onde ocorrerá a Show-Missa.
Pretendo neste trabalho mostrar, de forma panorâmica e não audaciosa, a forma como os padres católicos ascendem ao sucesso na mídia, como lidam com esse sucesso e como os fiéis reagem a esta e outras práticas menos ortodoxas dos representantes da Igreja.
Logo pela manhã, ao acordar, é costume levantar e ligar a Tv para assistir mais uma reprise de algum jornal policial ou programa infantil, o que vier primeiro. Ao zapear pelas estações televisivas sempre há pastores evangélicos com copos d’água, flores perfumadas, óleos ungidos e uma série de coisas que prometem resolver todos os problemas da vida, inclusive financeiros, até aí tudo bem, nada de anormal. Ultimamente, contudo, há se notado uma “invasão” de padres católicos fora da tradicional Rede Vida e outras. Percebe-se que estes buscam aporte na programação de redes como a Tv Canção Nova e demais Tv’s comerciais, que usualmente tem um alcance maior que outras. Além da Tv, o rádio também é usado com muita freqüência, e tem muitos ouvintes mundo afora. Seguidos destes, temos também os chamados “padres pop’s”, cujo representantes mais conhecidos estão Pe. Marcelo Rossi e Fábio de Mello, este último elevado a posição de “padre pop galã”, pela preocupação com sua aparência e o sucesso que faz entre as mulheres.
Ivete Sangalo, Vitor e Léo, Claudia Leite... Todos estes estão na lista dos que mais vendem cd’s no Brasil, mas a Associação Brasileira dos Produtores de Discos, que divulga a relação de artistas que mais venderam CDs mostra algo, no mínimo, interessante: no ano de 2008 os padres cantores assumiram a liderança do mercado fonográfico. Na primeira posição da relação dos mais vendidos no ano passado aparece o carismático padre Fábio de Mello, com o álbum “Vida”, da gravadora Som Livre (em 2009 continua no topo das “paradas” com mais de 250 mil cópias vendidas do Cd e DVD). Logo em seguida está o padre Marcelo Rossi, com o primeiro volume de “Paz Sim, Violência Não”, da Sony Music. Este ficou com a sexta posição do ranking com o segundo volume de “Paz Sim, Violência Não”, e ainda garantiu o primeiro lugar na vendagem de DVDs em 2008. Estes, a cada dia passado, ganham mais destaque e espaço na discografia brasileira. Os fieis se dividem, ainda que pessoas diferentes tenham reações iguais a desafios semelhantes. E esperam essas reações umas das outras, até. Uma parte acha que os padres querem trazer almas fazendo imitações de shows de TV, a forma como os pastores evangélicos pregam. Acham que isso mostra que eles perderam a noção da verdadeira Fé. Outros, pensam que o marketing religioso é válido para a pregação e um eficiente meio para manter crescente o numero de fieis. Independente de qualquer coisa, tem se a certeza que as pessoas não estão interessadas se eles cantam bem ou mal, estão na mídia e famosos porque são padres. Podem até ter talento, mas existem muito por aí que também possuem este dom e sequer tem chances de aparecer.
Fabio de Mello tem aparecido em muitas matérias de tv e revistas e se vê decepcionado com o que é veiculado com relação ao seu sacerdócio e ao seu nome. De toda forma, pensa na mídia como parceira na divulgação da fé, acredita que o trabalho como evangelizador é eficaz quando estabelece pontes e não quer se limitar a um discurso de sacristia, assim como não se vê como ídolo. Idolatria não faz bem a ninguém. Outro padre cantor, o Pe. Zezinho, fala do assunto com cuidado, mas diz “Há hoje um grande número de padres que cantam. Mas nós, padres, precisamos tomar cuidado para não supervalorizar esta forma de evangelização. Cantar demais, a qualquer hora e canções que não acrescentam nada, com grupos que tocam mal, com som ruim pode mais prejudicar que ajudar a missão do padre...”. O próprio Papa, autoridade máxima dentro da Igreja, não vê este movimento com bons olhos, prefere musica mais clássica, erudita. Essa opção não é aceita oficialmente pela igreja, é inclusive repudiada por certos setores da mesma. Desta forma, não se pode generalizar como estratégia da Igreja como forma de abocanhar um numero maior de membros.


REFERENCIAS

PADRE FÁBIO DE MELO - O PADRE POP! Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2009.

Trio de padres cantores assina contrato milionário em Londres. Disponível em: http://www.overbo.com.br/portal/2008/04/26/6720/. Acesso em: 27 jun. 2009.

Os Leigos cantores. Disponível em: http://www.portaldamusicacatolica.com.br/pe_zezinho_09.asp. Acesso em: 27 jun. 2009.

PADRES E IRMÃS CANTORES. Disponível em: http://www.portaldamusicacatolica.com.br/pe_zezinho_08.asp. Acesso em: 27 jun. 2009.

A vida dos padres cantores e atores . Disponível em: http://www.tribunatp.com.br/modules/news/article.php?storyid=1957. Acesso em: 27 jun. 2009.

Igreja Católica. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Cat%C3%B3lica. Acesso em: 27 jun. 2009.

4 comentários:

hamiltont disse...

Eu gosto de padres que cantam, de grupos evangélicos, de música de louvor, enfim, mas quando ela é feita com a intenção de louvar, realmente. Alguns grupos já começam a cantar músicas ditas "de louvor" em ritmo de forró. Está na cara que a intenção é mercadológica. Acredito que Deus não dance, pois precisa manter a compostura. E nós também! Se é para louvar, que louvemos com reverência e parcimônia.

Cassaco disse...

Falou bonito! rsrs
Tá na vertente do Papa, tu! rs
Abraço cara!

Anônimo disse...

Gostei muito do seu artigo. Parabéns! Sobre o Pe. Fábio:

Ele não é um padre que somente canta, ele também prega a palavra de Deus de um jeito bem inovador. Para mim, o maior dom do Pe. Fábio não é o cantar, pois há muitos que tem potência de voz melhor que a dele, mas a oratória. Ele mesmo diz que usa a música como um adereço e realmente, o que mais marca nos shows dele não são as músicas, mas suas palavras. Pode parecer o discurso dele meloso por falar muito de amor, mas o amor que ele propaga não é o amor romântico, mas aquele amor que gera compromisso, responsabilidade consigo mesmo e com os outros. O impressionante é que ele passa esse amor falando com paixão da humanidade de Jesus, de como Ele olhava e tratava as pessoas, impressionante!

Precisamos realmente do Pe. Fábio, o Espírito Santo veio ao nosso socorro, pois, cai entre nós, o Cristo apresentado pelos pentecostais e até pela RCC no seu início dá a impressão de ser somente uma divindade que precisa ser agradada para que em troca recebamos “milagres e prodígios”. Isto para mim foge completamente do propósito de ser cristão que é ser discípulo de Jesus Cristo, ou seja, viver como Ele viveu, amar como Ele amou, sermos verdadeiramente o corpo de Cristo na Terra.

Espero sinceramente que a missão do Pe. Fábio se estenda para o mundo inteiro, que seu jeito pop star possa conquistar várias mídias e daí apresentar o verdadeiro Cristo. Quem sabe o Pe. Fábio torna-se o primeiro pop star santo? Cá entre nós, Elvis Presley e Michael Jackson não são exemplos para ninguém.

Paz e bem!
Elaine - Rio de Janeiro

Cassaco disse...

Oi Elaine!
Muito obrigado pelo comentário!
Também admiro o trabalho do Pe Fábio. Sempre paro pra ouvir/assistir quando ele fala, e ainda gosto de suas musicas.
PopStar Santo? Quem sabe, né? ^^

Abraços